Parece impensável, mas em alguns lugares da Bahia, a terra treme. Os tremores são poucas vezes sentidos, normalmente são silenciosos para as percepções humanas. A prova disso, é que até o dia 16 de maio de 2024, o estado registrou 92 abalos sísmicos em 23 municípios, segundo balanço do Laboratório Sismológico da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Mas, o que está por trás desses tremores?
É importante primeiro destacar que não há nenhuma anormalidade nessa condição. Diferente do que muitos acreditam, todos os dias são registrados abalos sísmicos em diferentes cidades e estados do país. A diferença para outras partes do mundo, é que a Bahia está localizada no meio - ou em algumas regiões, no limite - de uma placa tectônica chamada Sul-Americana, isso faz com que os tremores sejam mais fracos.
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Conforme balanço feito pelo LabSis da UFRN à pedido do iBahia, em 2024 foram registrados abalos sísmicos de 1,5mR a 3mR de magnitude, nas cidades de:
- Cansanção
- Irecê
- SantaLuz
- Campo Formoso
- Litoral da Bahia
- Iramaia
- Baixa Grande
- Itagibá
- Barrocas
- Maracás
- Amargosa
- Itaberaba
- Boa Vista do Tupim
- Curaça
- Valença
- Santa Terezinha
- Aratuípe
- Lapão
- Curaçá
- Pilar
- Maraçás
- Jacobina
- Jaguarari
A maior magnitude foi registrada em Amargosa, no dia 11 de fevereiro; e as menores nas cidades de Jaguarari (12 de janeiro, 2 de fevereiro, 19 de fevereiro), Santaluz (30 de janeiro), Jacobina (18 de fevereiro e 12 de maio), Amargosa (21 de fevereiro). Ainda de acordo com o balanço, a maior quantidade de tremores ocorreu em Jaguarari (22) e em Jacobina (15). Veja infográfico:
O coordenador do Laboratório Sismológico da UFRN, Aderson Nascimento, explicou ao iBahia que apesar de não poder afirmar com precisão o que pode ocasionar essa quantidade abalos sísmicos concentradas, até então, nessas duas cidades, um fator que pode contribuir são as atividades de mineração.
"No caso de Jacobina e Jaguarari são atividades sísmicas que ocorrem muito próximas a atividades de mineração. Então, a gente sabe, na literatura, é relatado que essa sismicidade pode ser provocada por mineração. Isso é comum de acontecer. Esses dois casos em particular, pode ser isso aí. Desde que a coisa seja monitorada e a extração seja feita de forma que respeite os limites, é natural que aconteça, porque a atividade econômica tem que ocorrer", destaca.
Mas o que está por trás dos abalos sísmicos na Bahia?
Aderson Nascimento explicou que há regiões da superfície que são mais frágeis que outras, com falhas geológicas que dependendo das forças que estão sendo aplicadas, podem se tornar ativas e com isso gerar sismicidades e terremotos.
"É um fenômeno que é menos comum, mas, ao mesmo tempo, devido ao fato da gente estar monitorando melhor a sismicidade, a gente tem uma ideia melhor de como é que [atua] essa intensidade, mesmo em áreas que a gente não associa com terremoto. A gente sabe que eles existem, porque a gente monitora e tem equipamentos que são sensíveis o suficiente para registrar esses eventos sísmicos. E vários deles são sequer sentidos pela população", conta.
É o que endossa também o geólogo e historiador Rubens Antonio. Segundo o especialista, a própria formação territorial da Bahia há bilhões de anos influencia nos abalos sísmicos. Ao Portal, ele explicou que o terreno do estado foi formado por diversos choques rochosos e que esses abalos acontecem como uma maneira da Terra aliviar as tensões que saem do ciclo do planeta.
"Os terremotos sempre aconteceram e vão continuar acontecendo. [...] São alívios de tensão. É um jeito da Terra lidar com as suas tensões. Terremotos muito intensos significam que ela não estava conseguindo aliviar com qualidade", finaliza.
Nathália Amorim
Nathália Amorim
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